Ninguém jejua só para ficar sem comer
Deixa eu te dizer uma coisa antes de qualquer oração.
Yom Kippur — o Dia da Expiação — não é o dia de provar a D’us que você aguenta vinte e cinco horas sem comer. Se fosse só isso, bastaria força de vontade. E o Eterno nunca pediu a nossa força de vontade. Ele pediu o nosso coração.
O jejum tem uma função, e é uma função simples: calar o corpo para que a alma possa ouvir. Quando você tira a comida, tira a distração, tira o barulho, sobra você e o Eterno. E é aí que o dia começa de verdade.
A palavra hebraica é Yom Kippur (יוֹם כִּפּוּר) — o Dia da Expiação. E Kippur vem da raiz hebraica K-P-R (כ־פ־ר), cujo verbo kafar (כָּפַר) significa cobrir, expiar, resgatar. É o mesmo verbo usado quando Noach cobre a arca com betume para que a água não entrasse (Bereshit/Gênesis 6:14). Kippur é isso: uma cobertura. Uma proteção que não vem de você — vem d’Ele.
Por isso este guia não é uma lista para você “cumprir”. É um mapa das vinte e cinco horas, para que você saiba, a cada momento, onde está e o que colocar diante de D’us. Não tenha pressa. Não tente vencer o relógio. Deixe cada oração revelar aquilo que precisa ser entregue.
Antes de começar: se você acompanhou a série Yamim Nora’im — Reflexões Diárias, este guia é a continuação natural dela. Se ainda não viu, ou perdeu algum dia, reúna o coração assistindo os nove dias na ordem, antes do jejum:
▶️ Assista à série completa (Dia 1 ao Dia 9): https://www.youtube.com/playlist?list=PLb_6jNOPqbCY
📄 Baixar a lista de orações em PDF (para levar no dia)
Quando começa Yom Kippur em 2026 (5787)
Yom Kippur começa ao pôr do sol de domingo, 20 de setembro de 2026, e termina após o anoitecer de segunda-feira, 21 de setembro — cerca de vinte e cinco horas depois. Em São Paulo, o jejum começa por volta das 18h30; confira sempre o horário da sua cidade.
Entramos no jejum, e também no silêncio: recolhemos as redes, aquietamos a alma. Há um tempo para ouvir; depois, chega o tempo de calar.
As três colunas que sustentam o dia
Nossos sábios ensinam, a partir de Yoel/Joel 2 e de toda a tradição, que três coisas rasgam o decreto e reabrem o caminho:
- Teshuvá (תְּשׁוּבָה) — retorno. Não é remorso. Não é saudade de D’us. É dar meia-volta no caminho. Shuv é “voltar”. Teshuvá é decisão.
- Tefilá (תְּפִלָּה) — oração. Não é informar a D’us o que Ele já sabe. É a alma se colocando de pé diante do Rei.
- Tzedaká (צְדָקָה) — justiça. Não é só “caridade”. É justiça: devolver, reparar, socorrer o próximo.
Guarde essas três palavras. Elas são o esqueleto de tudo o que vem a seguir. (Cada uma delas foi tema de um dia da nossa série — o Dia 4, o Dia 5 e o Dia 6. Não por acaso.)
ANTES DO PÔR DO SOL — a preparação
Yom Kippur não perdoa aquilo que você se recusa a acertar com o seu irmão. Este é o ensino mais duro do dia, e o mais esquecido.
1. Reconciliação com o próximo (Bein Adam LeChaveiro)
A tradição é clara: os pecados entre o homem e D’us, o Dia da Expiação cobre; os pecados entre o homem e o seu próximo, o Dia da Expiação não cobre — até que você se reconcilie com o próximo (Mishná, Yomá 8:9). E Yeshua ensinou exatamente o mesmo: “Se trouxeres a tua oferta ao altar e ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão” (Matityahu/Mateus 5:23-24).
Antes de entrar, pergunte:
- Há alguém a quem eu preciso pedir perdão?
- Há algo que eu preciso restituir — dinheiro, um objeto, a verdade?
- Há uma palavra que eu preciso retirar? Uma dívida que preciso acertar?
Não leve ao altar aquilo que você ainda se recusa a resolver na mesa.
2. Vidui pessoal — a primeira confissão
Vidui (וִדּוּי) é confissão. E confessar não é dizer “perdoa os meus pecados” no geral. É olhar para o específico:
Não diga apenas “errei”. Diga: “eu reconheço que fiz isto. Eu reconheço que falei aquilo. Eu reconheço que feri aquela pessoa. Eu sabia o certo e não fiz.”
A teshuvá começa no instante exato em que você para de justificar aquilo que precisa ser confessado.
OS CINCO TEMPOS DE ORAÇÃO DE YOM KIPPUR
A liturgia do dia se organiza em cinco serviços — o único dia do ano com cinco. Você não precisa recitar cada texto na íntegra. Precisa entrar no espírito de cada tempo. Use as orações abaixo como portas.
1º TEMPO — KOL NIDREI e a entrada (Maariv)
Kol Nidrei (כָּל נִדְרֵי) — “Todos os votos”. Assim se abre Yom Kippur, ainda com o sol se pondo. É uma oração sobre as nossas palavras: os votos que fizemos e não cumprimos, as promessas que a boca soltou e a vida não sustentou.
Pergunte diante do Eterno:
- Prometi e não cumpri?
- Usei o Nome d’Ele levianamente?
- A minha palavra ainda vale? Ou eu digo “sim” já sabendo que não farei?
Ore por integridade — que aquilo que os seus lábios dizem e aquilo que a sua vida faz voltem a ser a mesma coisa.
Shemá Israel (שְׁמַע יִשְׂרָאֵל).
שְׁמַע יִשְׂרָאֵל יְהוָה אֱלֹהֵינוּ יְהוָה אֶחָד
Shemá Israel, Adonai Eloheinu, Adonai Echad — “Ouve, Israel: Adonai, nosso D’us, Adonai é um” (Devarim/Deuteronômio 6:4).
Reafirme: D’us é o centro. Nada ocupa o Seu lugar — nem o medo, nem o dinheiro, nem a mágoa, nem projeto nenhum.
Amidá (עֲמִידָה) — a oração “de pé”. É ficar em pé diante do Rei. Use este tempo para adorar, reconhecer a santidade d’Ele, agradecer, pedir misericórdia e interceder — pela sua casa, por Israel, pela comunidade.
2º TEMPO — SHACHARIT (שַׁחֲרִית · a manhã)
Você acorda ainda em jejum. Recomece pelo coração, não pela queixa.
Gratidão pela vida (Modeh Ani). Antes de qualquer pedido, agradeça: pelo fôlego, pela oportunidade de voltar, pela misericórdia que te trouxe até aqui — inclusive pelas correções que doeram e te amadureceram.
Salmos (Tehilim). Leia devagar. Não para “ler bastante”, mas para deixar o texto te sondar:
- Salmo 27 — confiança e busca da presença
- Salmo 32 — o alívio de quem confessa
- Salmo 51 — o coração quebrantado de David
- Salmo 103 — a misericórdia que não acaba
- Salmo 130 — o clamor das profundezas
- Salmo 139 — “Sonda-me, ó D’us, e conhece o meu coração”
Depois de ler, fique em silêncio alguns minutos. Deixe D’us responder.
3º TEMPO — MUSAF (מוּסָף · a Avodá, o coração do dia)
A Avodá — o serviço do Cohen Gadol. Leia Vayikrá/Levítico 16. Veja o Sumo Sacerdote entrando no Lugar Santíssimo uma vez ao ano, com sangue, por si e por todo o povo. Veja os dois bodes: um oferecido a Adonai, outro que carrega para longe a iniquidade do povo.
Contemple: a santidade de D’us, a gravidade do pecado, e o preço de uma cobertura. Pergunte: tenho tratado a presença do Eterno com temor, ou com uma familiaridade irresponsável?
Unetaneh Tokef (וּנְתַנֶּה תֹּקֶף). O grande texto que confronta a fragilidade humana diante da soberania de D’us — “quem viverá e quem partirá”. Não é para dar medo; é para dar perspectiva:
- Se este fosse o meu último ano, o que eu precisaria corrigir hoje?
- O que hoje me parece tão importante, e diante da eternidade não é nada?
- Que pessoa eu estou me tornando?
Avinu Malkeinu (אָבִינוּ מַלְכֵּנוּ) — “Nosso Pai, nosso Rei”. As duas mãos de D’us numa só oração. Pai: misericórdia, ternura, proximidade. Rei: governo, santidade, autoridade. Apresente a Ele a sua casa, o seu casamento, os seus filhos, a sua provisão, a comunidade, Israel, os que sofrem, os que estão longe. E termine sempre assim: “Que a Tua vontade governe a minha.”
Yizkor (יִזְכּוֹר) — a memória. Para quem perdeu alguém: recorde com gratidão os que já partiram. Pergunte: o que recebi deles que deve continuar em mim? E o que precisa terminar em mim, para não passar adiante?
4º TEMPO — MINCHÁ (מִנְחָה · a tarde) e o livro de Jonas
Aqui eu preciso te contar uma coisa da nossa casa. Todo Yom Kippur, na nossa congregação, nós lemos o livro de Yoná (יוֹנָה) inteiro. E não é tradição vazia — há uma razão, e ela é o próprio coração do dia.
O livro de Jonas responde a uma pergunta que todo coração faz no Dia da Expiação: o Eterno perdoa mesmo? E a resposta que ele grita é: o Eterno perdoa todo aquele que clama a Ele, todo aquele que O busca de verdade.
Repare em quem foi perdoado. Nínive (נִינְוֵה) não era Israel. Era um povo pagão, uma cidade que não tinha nada a ver com a aliança. E, ainda assim, quando veio o decreto — “ainda quarenta dias e Nínive será destruída” — aquele povo fez o que muitos que conhecem a D’us não fazem: entrou em jejum, vestiu-se de arrependimento e proclamou, de todo o coração, o desejo de voltar. Eles endireitaram a kavanah (כַּוָּנָה) — a intenção, a direção do coração — e praticaram teshuvá (תְּשׁוּבָה) de verdade.
E aconteceu aquilo que só a misericórdia do Eterno explica: D’us revogou um decreto que Ele mesmo havia dado. A sentença de morte foi anulada — não porque a Palavra d’Ele falhou, mas porque a teshuvá daquele povo subiu até o trono. O Eterno viu o coração que voltou, e concedeu o perdão.
É por isso que lemos Jonas em Yom Kippur. Para não esquecer, justamente no dia em que o decreto é selado, que o decreto não é a última palavra — a teshuvá é. Se o Eterno teve misericórdia de Nínive, que estava tão longe, quanto mais terá de você, que hoje se coloca diante d’Ele para voltar.
Mas o livro tem um segundo fio, e esse é para o profeta. Jonas fugiu do chamado — e, mesmo depois, o seu coração ainda precisava ser tratado, porque ele queria a misericórdia para si e o juízo para os outros.
Leia o livro inteiro e pergunte:
- Do que eu estou fugindo?
- Existe uma “Nínive” que eu me recuso a alcançar — uma pessoa, um perdão que eu acho que ela não merece?
- Eu quero para mim a graça que nego ao meu próximo?
- Se Nínive pôde voltar e ter o decreto revogado, o que ainda me impede?
📖 Aprofunde: escrevi um artigo inteiro sobre por que lemos Jonas em Yom Kippur — a teshuvá que revoga o decreto, o perdão que alcança até Nínive e o Sinal de Jonas. Leia aqui →
Depois, medite em Yeshayahu/Isaías 58 — o capítulo que denuncia o jejum que muda o estômago mas não muda a vida: “Porventura é este o jejum que escolhi? … Não é antes este: que soltes as ligaduras da impiedade, que repartas o teu pão com o faminto?” Pergunte com honestidade: o meu jejum está mudando só o meu corpo, ou também o meu jeito de viver?
5º TEMPO — NEILÁ (o fechamento dos portões)
Neilá (נְעִילָה) — “fechamento”. É a última oração, exclusiva de Yom Kippur. A imagem é a dos portões se fechando ao entardecer. Não é hora de dispersar — é hora de reunir toda a alma num último clamor, enquanto a porta ainda está aberta.
- Último Vidui: o que eu ainda estou escondendo? O que eu ainda estou justificando?
- Decisões de teshuvá (escreva antes do jejum ou guarde no coração): não “quero ser melhor”, mas “vou procurar aquela pessoa”; “vou devolver aquilo”; “vou interromper isso”; “vou retomar o que abandonei”.
- As declarações finais, ditas com toda a força: Shemá Israel, Adonai Eloheinu, Adonai Echad. E, sete vezes: Adonai Hu haElohim — “Adonai, Ele é D’us”.
Ao final, o shofar (שׁוֹפָר) toca uma vez — tekiá gedolá, o toque longo. O dia se fecha. E você sai diferente de como entrou.
O VIDUI — o grande exame de consciência
Aqui está o coração deste guia, e o que vai te sustentar quando a fome apertar e você pensar “e agora, o que eu oro?”. Volte a esta lista várias vezes ao longo do dia. Não leia depressa. Pare onde o seu coração for confrontado — é ali que o Eterno está falando.
A liturgia confessa no plural — Ashamnu (אָשַׁמְנוּ), “nós nos tornamos culpados”, e Al Chet (עַל חֵטְא), “pelo pecado que cometemos diante de Ti” — porque ninguém se salva sozinho e ninguém peca sozinho. Mas faça também no singular, olhando para dentro.
Depois de cada área que D’us trouxer à luz, diga a Ele:
“Eu reconheço. Não quero justificar. Eu me arrependo. Ensina-me a reparar o que precisa ser reparado, e a não voltar ao mesmo caminho.”
Pecados da boca (Lashon Hará): fofoca; difamação; espalhar o que não precisava; revelar confidências; mentira; exagerar a história para me engrandecer; esconder parte da verdade para enganar; ironia que fere; humilhar; falar do ausente; ouvir maledicência sem interromper; reclamação constante; ingratidão.
Contra o próximo: ferir quem está dentro de casa enquanto mostro espiritualidade fora dela; falta de paciência; explosões de ira; ressentimento guardado; desejo de vingança; negar perdão; indiferença ao sofrimento alheio; não ajudar podendo ajudar; julgar antes de entender; desprezar alguém; tratar as pessoas conforme a posição ou o dinheiro delas.
Dinheiro e justiça (Tzedaká): desonestidade; não devolver o que é do outro; aproveitar-me da fragilidade de alguém; enganar numa negociação; ganância; amor excessivo ao dinheiro; prometer o que eu não pretendia cumprir; reter o socorro que estava na minha mão.
Família: desonrar pai e mãe; negligenciar cônjuge e filhos; estar presente para todos, menos para os meus; palavras duras dentro de casa.
Coração e orgulho: arrogância; achar que tenho sempre razão; não reconhecer os meus erros; culpar os outros pelo que é meu; vaidade; necessidade excessiva de aprovação; inveja; comparação; competição.
Pureza e vida escondida: pensamentos impuros alimentados; olhar o que acende o que deveria ser apagado; pecados sexuais; vícios ocultos; uma vida secreta incompatível com o que professo em público.
Vida espiritual: oração sem obediência; conhecer a Palavra e não deixar que ela me corrija; aparência religiosa sem mudança interior; fazer o bem para ser visto; usar a Bíblia para vencer discussão em vez de gerar vida; desprezar quem sabe menos; banalizar o Nome; irreverência com o que é santo.
Confiança: ansiedade que virou tentativa de controlar tudo; confiar só na própria força; esquecer a providência do Eterno; não reconhecer as respostas que já recebi.
Omissão e tempo: preguiça; desperdício de tempo; negligenciar o que D’us pôs nas minhas mãos; usar mal os dons recebidos; deixar para amanhã a reconciliação que eu sei que preciso fazer hoje; repetir o pecado do qual já fui advertido; resistir à correção.
Leituras para atravessar as 25 horas
Quando houver espaço entre as orações, permaneça na Palavra:
- Vayikrá/Levítico 16 — o Dia da Expiação
- Vayikrá/Levítico 23:26-32 — a convocação de Yom Kippur
- Bamidbar/Números 29:7-11 — as ofertas do dia
- Shemot/Êxodo 32–34 — pecado, intercessão de Moshé, e a renovação da aliança
- Devarim/Deuteronômio 30 — “escolhe a vida”, o retorno
- 2 Samuel 12 e Salmo 51 — a queda e a confissão de David
- Salmos 32, 38, 103, 130, 139
- Isaías 1, 55, 58 — arrependimento, retorno e o verdadeiro jejum
- Yechezkel/Ezequiel 18 — cada um responde pelo seu caminho, e pode mudar
- Daniel 9 — a oração de confissão pelo povo
- Oséias 14 · Joel 2 · Miquéias 7 · Jonas 1–4 — voltai de todo o coração; misericórdia
Motivos de intercessão
Reserve momentos para orar por: sua própria vida; seu cônjuge; seus filhos; seus pais; os que estão afastados do Eterno; aqueles que você feriu; aqueles que feriram você; a reconciliação da sua família; a Kehilah e os líderes; os que ensinam a Palavra; Israel e a paz de Yerushalayim; os enfermos; os enlutados; os que passam necessidade; e as próximas gerações — para que a Palavra permaneça viva entre os nossos filhos e netos.
E quando faltarem as palavras?
Fique em silêncio. Yom Kippur também é feito de silêncio. Você não precisa preencher cada minuto falando. Sente-se diante do Eterno. Leia um Salmo. Chore, se precisar. Anote uma decisão. Respire. Volte à Palavra. Agradeça.
Porque o objetivo do dia não é chegar ao fim podendo dizer “consegui ficar vinte e cinco horas sem comer”. O objetivo é chegar ao fim podendo dizer: “eu entrei de um jeito, e não quero voltar a ser o que eu era.”
A cobertura que nós não conseguimos dar
Preciso te dizer o que está no centro de tudo isto, com todo o respeito pela tradição que atravessou milênios.
Em Vayikrá/Levítico 16, o sangue não era do sacerdote — era de um substituto. A cobertura nunca veio da força do homem. Veio de uma vida oferecida no lugar do pecador. Todo Yom Kippur aponta para uma verdade que o coração humano sempre soube: alguém precisa cobrir aquilo que eu não consigo cobrir.
Foi por isso que, no segundo dia da nossa série, falamos da Akedá — quando Avraham disse a Yitzchak: “D’us proverá para si o cordeiro” (Bereshit/Gênesis 22:8). Aquela palavra ficou de pé por dois mil anos, esperando. E o Eterno, que é fiel, proveu: Yeshua (יֵשׁוּעַ), o Cordeiro de D’us que tira o pecado do mundo (Yochanan/João 1:29), tornou-se a nossa kaparah (כַּפָּרָה) — a cobertura perfeita, o Cohen Gadol (כֹּהֵן גָּדוֹל) que entrou no santuário verdadeiro não com sangue de bodes, mas com o Seu próprio, obtendo uma redenção eterna (Hebreus 9).
Repare na beleza que o Eterno escondeu no próprio Nome: Yeshua (יֵשׁוּעַ) significa “salvação”. A cobertura que o dia inteiro busca tem nome.
Isso não anula Yom Kippur — cumpre o seu sentido mais profundo. Nós ainda jejuamos. Ainda fazemos teshuvá. Ainda confessamos. Mas agora entramos pela porta que Ele abriu, não pelo medo, e sim pela confiança. Como dissemos no último dia da série: entre pela confiança, e não pelo medo — porque “ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve” (Isaías 1:18).
Que o Eterno te sele para a vida
Que estas vinte e cinco horas sejam horas de teshuvá verdadeira, de reconciliação, de quebrantamento e de retorno. Que você não saia igual a como entrou.
Gmar Chatimá Tová (גְּמַר חֲתִימָה טוֹבָה) — que você seja selado para um bom ano: de vida, de paz e de fidelidade diante do Eterno.
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▶️ Antes do silêncio, prepare o coração. Assista à série completa Yamim Nora’im (Dia 1 ao Dia 9):
https://www.youtube.com/playlist?list=PLb_6jNOPqbCY
🗺️ E quando Yom Kippur passar, continue a caminhada. A teshuvá é um retorno — e todo retorno faz parte de uma jornada maior, a mesma que Israel percorreu do Egito à Terra Prometida. Descubra em que ponto do Mapa a sua vida está agora:
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— Rabino Marcos Barreto · ITEEP — Escola de Profetas
Perguntas frequentes (bloco de FAQ — bom para SEO)
Como se ora em Yom Kippur?
A oração de Yom Kippur se organiza em cinco tempos ao longo das 25 horas — Kol Nidrei/Maariv, Shacharit, Musaf, Minchá e Neilá — e gira em torno de três eixos: teshuvá (retorno), tefilá (oração) e o vidui (confissão). Entre um serviço e outro, a pessoa lê Salmos e as Escrituras, examina o coração e intercede.
O que não se pode fazer no jejum de Yom Kippur?
Tradicionalmente, abstém-se de comer e beber por cerca de 25 horas. Muitos acrescentam o recolhimento das redes sociais e do trabalho, para dedicar o dia inteiramente à oração e ao arrependimento. Gestantes, enfermos e quem tem restrição de saúde devem se orientar com responsabilidade — a vida sempre vem primeiro.
O que é o vidui?
Vidui é a confissão de pecados. Em Yom Kippur ela é repetida em vários dos serviços, no plural (Ashamnu, Al Chet) e no pessoal, porque o arrependimento não é uma formalidade de cinco minutos — é o trabalho central do dia.
Cristãos e messiânicos devem guardar Yom Kippur?
Yom Kippur é uma das convocações do Eterno em Levítico 23. Para quem enxerga as raízes hebraicas da fé, é um tempo precioso de arrependimento e retorno — vivido à luz de Yeshua, que se tornou a nossa expiação. Não como peso, mas como caminho de volta ao Pai.
Quando é Yom Kippur em 2026?
Começa ao pôr do sol de 20 de setembro de 2026 e termina após o anoitecer de 21 de setembro (10 de Tishrei de 5787).

